A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) registou uma adesão, em média, de cerca de 80% à greve geral de 11 de dezembro, demonstrando de forma expressiva a deterioração das condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e o grau de rejeição dos médicos ao pacote laboral que o governo insiste em propor.
O encerramento integral de blocos operatórios, o adiamento de cirurgias programadas e a suspensão de consultas nos cuidados de saúde primários e hospitalares são consequências das políticas do governo, que desvalorizam o Serviço Nacional de Saúde e os seus médicos.
Em Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, a greve foi particularmente expressiva. Infelizmente, não surpreende - estas têm sido das áreas mais afetadas pela degradação persistente das condições de trabalho, a par da desvalorização salarial e da crise habitacional, que impedem que os médicos se fixem nestas unidades de saúde.
Este nível de adesão evidencia aquilo que os médicos têm repetido há anos: não é possível manter um SNS funcional assente em precarização, horários desregulados, equipas desfalcadas, carreiras estagnadas e exigências incompatíveis com a segurança dos utentes.
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) saúda os médicos que cumpriram os serviços mínimos, garantindo que as urgências e outros serviços imprescindíveis mantivessem o seu funcionamento, e todos os trabalhadores que aderiram à greve geral, convocada pela CGTP-IN e pela UGT, para fazer frente ao pacote de retrocesso laboral.
Em Portugal, dissemos claramente que recusamos o regresso ao século XIX. Rejeitamos os bancos de horas individuais, a generalização da precariedade, o ataque aos direitos parentais, a introdução de férias pagas pelo trabalhador e as limitações à ação sindical. O governo não nos pode ignorar.