Médico

O Conselho Nacional (CN) da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) esteve reunido a 16 de julho e, após analisar o protocolo negocial apresentado pelo Governo na reunião de 13 de julho, decidiu endurecer a forma de luta, caso não seja aceite a inclusão da revisão das carreiras médicas e da sua tabela salarial, imprescindível para a atração e manutenção dos médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O Governo pretende negociar apenas medidas isoladas, como a criação de regimes de dedicação «plena» (cujos pormenores são ainda desconhecidos) e de trabalho em serviço de urgência, que não têm tradução concreta numa melhoria real das condições de trabalho, nem numa remuneração justa e digna.

Além disso, estão contempladas uma série de medidas gravosas na Lei de Orçamento de Estado (LOE) de 2022, que só vêm contribuir para a progressiva precarização da profissão médica e para a degradação dos cuidados prestados aos utentes do SNS. Destacam-se a contratação de médicos sem formação específica para colmatar a falta de especialistas em Medicina Geral e Familiar (MGF), assim como a inconstitucional nova forma de pagamento de trabalho suplementar em serviço de urgência, que se limita à externa (deixando de fora o trabalho em serviços equiparados) e que ultrapassa as 150 horas anuais previstas nos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT).

Adicionalmente, foi anunciada a atribuição de prémios anuais aos gestores hospitalares e aprovado o novo Estatuto do SNS, cujo conteúdo e regulamento também são desconhecidos. Soma-se a abertura de concursos, para médicos, presididos por técnicos que não são médicos, em clara violação dos princípios enformadores (interpares) da carreira médica e de todos os normativos legais em vigor.

Assim, o CN da FNAM deliberou:

  • Exigir a inclusão da revisão dos ACT no protocolo negocial, incluindo a revisão da grelha salarial associada à carreira médica e a dedicação exclusiva – para todos os que a requeiram, opcional e majorada;
  • Exigir a revogação imediata de:
    • do artigo 206.º da LOE que prevê a contratação, a título excecional, de médicos sem a especialidade de MGF para exercerem como tal, nos Cuidados de Saúde Primários;
    • do artigo 38.º da LOE que respeita a remuneração do trabalho suplementar dos médicos nos serviços de urgência hospitalar externa, que ultrapasse as 250 horas anuais.
  • Exigir a anulação imediata do Aviso (extrato) n.º 14124/2022 para o procedimento concursal conducente ao recrutamento de pessoal médico para a área da especialidade de anestesiologia – para as categorias de assistente, assistente graduado e assistente graduado sénior.

O CN da FNAM mandatou a sua Comissão Executiva, para declarar greve dos médicos, caso estes requisitos não venham a ser satisfatoriamente contemplados na próxima reunião com as estruturas ministeriais em 26 de julho.

A FNAM exige uma vez mais a negociação séria que defende os médicos e o SNS.

18 de julho de 2022

O Conselho Nacional da FNAM

Cartaz do protesto em luto pelo SNS, em luta pela MGF

Em resposta à medida, integrada no Orçamento do Estado para 2022, que prevê a contratação de médicos não especialistas nos Cuidados de Saúde Primários, em vez de médicos de família, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) promove um protesto, no dia 16 de julho, pelas 16h00, em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa. A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) solidariza-se com esta ação, aberta a todos os médicos, profissionais de saúde e utentes.

Para a FNAM, esta medida é absolutamente inaceitável e representa uma grave violação dos valores e princípios da carreira e atividade médicas. Considerando que a especialidade de Medicina Geral e Familiar (MGF) é reconhecida internacionalmente e tem um papel central no acesso aos cuidados de saúde, o Governo opta por não tomar as medidas que realmente assegurariam um médico de família a todos os utentes.

O Governo tem de valorizar os médicos e garantir as condições de trabalho – técnicas e remuneratórias – para que estes se fixem no SNS, renegociando a carreira médica.

Por isso, a FNAM apela aos seus associados e a todos os médicos que participem no protesto de dia 16, em defesa dos Cuidados de Saúde Primários e do Serviço Nacional de Saúde.

Cartaz da reunião com médicos do Algarve

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul organiza uma reunião aberta aos médicos do Algarve, a decorrer por videoconferência no dia 12 de julho, uma terça-feira, das 21h30 às 23h00, de forma a debater a situação nos serviços de saúde do Algarve e a conhecer melhor os problemas que têm afetado as suas condições de trabalho. A reunião é aberta a todos os médicos, sejam ou não sindicalizados.

Participarão na reunião vários dirigentes sindicais e um dos advogados do serviço jurídico do SMZS.

Para participar na reunião, aceda ao link da plataforma ZOOM: https://us06web.zoom.us/j/82288975453

© Sindicato dos Médicos da Zona Sul