Equipa negocial da FNAM

No dia 9 de janeiro, o governo aceitou finalmente discutir matérias estruturais que sempre tentou afastar. O protocolo negocial agora assinado inclui temas centrais exigidos pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), nomeadamente: tabelas remuneratórias, avaliação e progressão, reintegração do internato médico na carreira, revisão da jornada de trabalho semanal, reposição dos dias de férias perdidos, medidas de proteção da parentalidade e um regime de dedicação exclusiva opcional e devidamente majorado.

Este resultado foi alcançado após a FNAM ter exigido o fim do bloqueio negocial, recorrendo a todos os instrumentos legais ao seu dispor. A 2 de dezembro, realizou-se, no Porto, uma reunião na Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), com as Entidades Públicas Empresariais (EPE) da Saúde, para a revisão do Acordo Coletivo de Trabalho da Carreira Médica. A 3 de dezembro, em Lisboa, teve lugar nova reunião na Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), com representantes do governo, perante um Juiz-Árbitro, para a revisão do Acordo Coletivo da Carreira Especial Médica. As propostas negociais foram então formalmente entregues às entidades competentes, bem como a proposta de protocolo negocial da FNAM.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) atravessa uma crise grave, marcada por falhas na emergência pré-hospitalar, partos em ambulâncias, tempos de espera nas urgências que atingem dezenas de horas, médicos responsáveis por mais de uma centena de doentes e hospitais com dezenas de doentes internados em macas nos serviços de urgência por falta de camas. Perante esta realidade, a negociação das condições de trabalho dos médicos é uma exigência estrutural, indispensável para garantir a segurança dos doentes, a qualidade dos cuidados prestados e a salvaguarda de vidas humanas.

O protocolo negocial que a FNAM conseguiu alcançar põe fim ao bloqueio negocial com os médicos do SNS. A FNAM manterá uma postura exigente e firme, exigindo ao governo de Luís Montenegro e à Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, seriedade, transparência e respeito institucional, livre de manobras paralelas.

Webinar para médicos internos

FNAM organiza, no dia 13 de janeiro, às 21h, um webinar dirigido aos Internos de Formação Geral e de Formação Especializada, pensado como uma Sessão de Receção aos Médicos Internos de 2026.

Iniciar o Internato Médico é muito mais do que começar uma nova etapa profissional. É entrar num serviço ou unidade exigente, com regras, direitos e desafios que importa conhecer desde o primeiro dia.

Este webinar foi pensado para te dar ferramentas, informação e confiança para começares bem.

Temas em destaque:

  • Direitos e deveres dos médicos internos
  • Carreira médica e condições de trabalho
  • O papel do sindicato na defesa do internato
  • Como te proteger e fazer ouvir

webinar é aberto a todos os Médicos Internos.

Começar bem faz a diferença. Conta com a FNAM desde o primeiro dia.

Divulga com os teus colegas e participa.

🔗 Ligação para inscrição/participação aqui.

Corredor em hospital

Durante a noite de 2 para 3 de janeiro, a urgência geral do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) funcionou, durante várias horas, com apenas um médico escalado para toda a área ambulatória, uma situação de extrema gravidade que colocou em risco a segurança dos doentes e dos profissionais. Este cenário levou à demissão da chefe e da subchefe da equipa da Urgência Geral.

Para o SMZS, os problemas no Amadora-Sintra não são uma inevitabilidade nem acidente, mas antes o resultado de uma degradação progressiva e intencional do SNS, promovida pela inação do Governo, que cria as condições para justificar a transferência de cuidados para grupos privados.

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) denuncia mais um episódio crítico na urgência do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca (HFF) ocorrido na noite de 2 para 3 de janeiro, que voltou a colocar em causa a segurança dos doentes, médicos e profissionais de saúde.

A equipa médica escalada era manifestamente insuficiente para a dimensão da afluência e da gravidade clínica existentes. Até à meia noite de 2 de janeiro a escala incluía um chefe de equipa, quatro médicos no serviço de observação e dois médicos na área ambulatória. A partir dessa hora e até às 8h00 de 3 de janeiro, permaneceu apenas um médico para todos os doentes da área ambulatória, uma situação absolutamente inaceitável do ponto de vista clínico e organizacional.

No início da noite, encontravam-se 179 doentes em circulação na urgência, com mais de 60 doentes internados no serviço de observação. Os tempos de espera atingiam níveis inaceitáveis: os doentes triados como laranja aguardavam mais de 6 horas pela primeira observação médica e os doentes amarelos ultrapassavam as 20 horas de espera, numa situação claramente incompatível com cuidados de saúde seguros e atempados.

Esta realidade era do conhecimento do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra. Não se tratou de uma falha imprevista, mas sim da escala previamente definida, sem que tenha sido tomada qualquer medida para prevenir ou corrigir uma situação anunciada, mesmo num contexto de pico sazonal da gripe. Esta inação traduz uma grave incapacidade de gestão e um desrespeito pelos profissionais e pelos utentes.

A gravidade e repetição destas situações levaram à demissão da chefe e da subchefe da equipa da Urgência Geral, numa decisão que reflete o limite ético e profissional atingido.

O SMZS-FNAM responsabiliza diretamente o Conselho de Administração da ULS Amadora-Sintra pela sua incompetência na resolução do problema. Recorde-se que esta Administração está demissionária desde o início de novembro, sem que até à data tenha sido substituída pela tutela, deixando uma das maiores unidades hospitalares do país sem liderança efetiva.

No entanto, a responsabilidade não é apenas local, o Governo e a Ministra da Saúde têm optado por manter as urgências hospitalares sem capacidade de resposta, falhando na adoção de medidas eficazes de fixação de médicos no SNS. Enquanto isso, promovem e assistem à degradação dos cuidados de saúde numa das maiores urgências do país sem implementar soluções estruturais que devolvam a qualidade e a segurança dos cuidados às populações. O anúncio de reforço das equipas do HFF pela Comissão Executiva do SNS também não parece produzir efeitos visíveis.

Sem ouvir os médicos e sem responder às suas necessidades não há milagres. O SMZS-FNAM encontra-se disponível para contribuir para a construção de soluções necessárias para que estas situações não se repitam.

O SMZS-FNAM manifesta a sua total solidariedade com todos os médicos e restantes profissionais de saúde que diariamente trabalham na Urgência do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, muitas vezes em condições extremas, com enorme desgaste físico e emocional, garantindo cuidados à população apesar da ausência de condições mínimas e da falência da gestão e das políticas de saúde.

Médica pediatra e criança

No dia 31 de dezembro, há apenas um pediatra na urgência externa de Faro para todo o Algarve, além de três outros médicos, ameaçando os cuidados de saúde para as crianças em toda a região. A urgência de Portimão estará encerrada. O Ministério da Saúde e o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve tardaram em encontrar soluções.

A urgência externa do Hospital de Faro - que recebe as situações urgentes de toda a região - estará fortemente condicionada, sendo garantida apenas por uma pediatra e três médicos - um interno de 2.º ano e outros dois de outras especialidades. A urgência interna de pediatria também estará com fortes limitações, sem nenhum pediatra escalado. Na neonatologia estarão duas médicas pediatras.

Este quadro é claramente insuficiente para uma região com mais de 460 mil habitantes e que é um destino para milhares de pessoas durante a passagem de ano, não garantindo os mínimos previstos por lei - que prevê a presença de pelo menos dois pediatras - ou pelo regulamento da Ordem dos Médicos para equipas de urgência - que prevê um pediatra para a unidade de observação e mais um médico por cada 20 doentes atendidos em 12 horas.

A resposta a esta situação dramática por parte da administração da ULS Algarve foi tardia, sendo que apenas no dia de hoje conseguiu preencher as escalas de urgência para amanhã, e ainda assim de forma manifestamente insuficiente. A falta de médicos pediatras na urgência seria previsível, considerando que já no ano passado o SMZS-FNAM denunciou uma situação idêntica.

A degradação dos cuidados de saúde pediátricos no país, e em particular no Algarve, é uma mancha negra que deveria envergonhar o governo. Nestes últimos anos, os sucessivos governos têm criado esta situação, empurrando os médicos para fora do SNS.

O Ministério da Saúde tem de abandonar a sua postura intransigente e mostrar abertura negocial para melhorar as condições de trabalho dos médicos e garantir o pleno funcionamento do SNS.

© Sindicato dos Médicos da Zona Sul