Deu entrada no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa uma ação promovida pelo SMZS-FNAM, em defesa coletiva dos direitos e interesses de 13 médicos internos de psiquiatria, contra as Unidades Locais de Saúde de Amadora-Sintra, de Lisboa Ocidental e de Loures-Odivelas.

Esta ação visa o reconhecimento do direito daqueles médicos internos a auferirem a compensação pelo desempenho legalmente prevista para os profissionais das equipas afetas aos Centros de Responsabilidade Integrados (CRI) de Saúde Mental, bem como a condenação das referidas ULS ao pagamento dos valores legalmente devidos desde a data de início das respetivas funções, acrescidos dos correspondentes juros de mora.

O SMZS encontra-se na linha da frente da defesa dos médicos internos, tendo criado um contacto direto para o apoio jurídico a estes associados, através do e-mail Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.. No âmbito das negociações com o Ministério da Saúde, o SMZS e a FNAM inseriram no protocolo negocial a inclusão do internato médico na carreira médica, uma medida que aumentaria a proteção laboral dos internos.

Estetoscópio

O Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, no âmbito de uma ação instaurada pelo Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM), em defesa coletiva dos direitos e interesses legalmente protegidos de uma médica de Medicina Geral e Familiar, sua associada, proferiu decisão no dia 7 de janeiro.

O Tribunal aplicou diretamente o princípio constitucional de «a trabalho igual, salário igual», reconhecendo que um médico que tenha obtido o grau de especialista e passe a exercer funções sem supervisão técnica, em regime de 40 horas semanais, desempenhando funções materialmente idênticas às de um assistente da carreira médica, tem direito a auferir, até ao seu provimento nessa categoria, a remuneração correspondente à primeira posição remuneratória da categoria de assistente.

Esta decisão judicial constitui uma afirmação clara dos direitos dos médicos e reforça a posição que o SMZS-FNAM tem vindo a defender de forma consistente e intransigente: não é admissível que médicos especialistas, a desempenhar plenamente funções da carreira médica, continuem a ser remunerados de forma inferior.

O SMZS-FNAM continuará a intervir por todos os meios legais e institucionais ao seu dispor para garantir o respeito pelo princípio constitucional da igualdade, combatendo práticas injustas e exigindo o reconhecimento efetivo dos direitos laborais e remuneratórios dos seus associados.

Equipa negocial da FNAM

No dia 9 de janeiro, o governo aceitou finalmente discutir matérias estruturais que sempre tentou afastar. O protocolo negocial agora assinado inclui temas centrais exigidos pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), nomeadamente: tabelas remuneratórias, avaliação e progressão, reintegração do internato médico na carreira, revisão da jornada de trabalho semanal, reposição dos dias de férias perdidos, medidas de proteção da parentalidade e um regime de dedicação exclusiva opcional e devidamente majorado.

Este resultado foi alcançado após a FNAM ter exigido o fim do bloqueio negocial, recorrendo a todos os instrumentos legais ao seu dispor. A 2 de dezembro, realizou-se, no Porto, uma reunião na Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), com as Entidades Públicas Empresariais (EPE) da Saúde, para a revisão do Acordo Coletivo de Trabalho da Carreira Médica. A 3 de dezembro, em Lisboa, teve lugar nova reunião na Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), com representantes do governo, perante um Juiz-Árbitro, para a revisão do Acordo Coletivo da Carreira Especial Médica. As propostas negociais foram então formalmente entregues às entidades competentes, bem como a proposta de protocolo negocial da FNAM.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) atravessa uma crise grave, marcada por falhas na emergência pré-hospitalar, partos em ambulâncias, tempos de espera nas urgências que atingem dezenas de horas, médicos responsáveis por mais de uma centena de doentes e hospitais com dezenas de doentes internados em macas nos serviços de urgência por falta de camas. Perante esta realidade, a negociação das condições de trabalho dos médicos é uma exigência estrutural, indispensável para garantir a segurança dos doentes, a qualidade dos cuidados prestados e a salvaguarda de vidas humanas.

O protocolo negocial que a FNAM conseguiu alcançar põe fim ao bloqueio negocial com os médicos do SNS. A FNAM manterá uma postura exigente e firme, exigindo ao governo de Luís Montenegro e à Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, seriedade, transparência e respeito institucional, livre de manobras paralelas.

Webinar para médicos internos

FNAM organiza, no dia 13 de janeiro, às 21h, um webinar dirigido aos Internos de Formação Geral e de Formação Especializada, pensado como uma Sessão de Receção aos Médicos Internos de 2026.

Iniciar o Internato Médico é muito mais do que começar uma nova etapa profissional. É entrar num serviço ou unidade exigente, com regras, direitos e desafios que importa conhecer desde o primeiro dia.

Este webinar foi pensado para te dar ferramentas, informação e confiança para começares bem.

Temas em destaque:

  • Direitos e deveres dos médicos internos
  • Carreira médica e condições de trabalho
  • O papel do sindicato na defesa do internato
  • Como te proteger e fazer ouvir

webinar é aberto a todos os Médicos Internos.

Começar bem faz a diferença. Conta com a FNAM desde o primeiro dia.

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