Hospital Amadora-Sintra

A situação preocupante da anestesia na urgência do Hospital Amadora-Sintra

Nos últimos meses a situação da especialidade de anestesia a nível das equipas de urgência desta unidade hospitalar tem vindo a agravar-se progressivamente, sem que se vislumbrem quaisquer medidas concretas da administração e em particular do seu director clínico para solucionar este grave problema.

Neste momento, em vez de 24 médicos desta especialidade a fazer urgência em escalas de 24 horas, só existem 13, havendo mais 4 a fazer períodos de 12h diurnas.

Ainda este mês, mais 3 médicos desta especialidade deixaram esta unidade hospitalar, tornando mais deficitários os seus efectivos.

As equipas de anestesia na urgência  foram reorganizadas, ficando com apenas  2 especialistas.

O Colégio da Especialidade de Anestesiologia da Ordem dos Médicos recomenda  que o número adequado de médicos desta especialidade nas escalas de urgência é de 4.

O regulamento de funcionamento da equipa de urgência da Anestesiologia estabelecido por esta unidade hospitalar estabelece a existência de 4 elementos no período diurno e de 3 no período nocturno, o que desrespeita as disposições técnicas de segurança do trabalho médico recomendadas pela Ordem dos Médicos, tendo sido contestado em tempo devido pelo serviço de Anestesiologia.

Esta situação reveste-se de uma extrema gravidade, comportando riscos elevados para estes médicos especialistas e, sobretudo, para os doentes.

Os médicos têm enviado para a Ordem dos Médicos e para o director clínico minutas diárias onde declinam quaisquer responsabilidades por eventuais ocorrências graves para os doentes que possam vir a surgir, minutas que continuam a  não ter qualquer resultado.

Esta grave situação, pelos delicados riscos que comporta, está a determinar que vários médicos anestesistas estejam a equacionar deixar de trabalhar nesta unidade hospitalar.

Por outro lado, a quase totalidade dos médicos deste serviço, à excepção de 1, que fazem urgência 24 horas já entregou a declaração de recusa em fazer mais de 200 horas extraordinárias.

Assim, estamos perante uma escandalosa situação reveladora do potencial desprezo pelo valor essencial da vida humana por parte da respectiva administração hospitalar.

E o que é ainda mais grave é esta situação se arrastar no tempo e os seus responsáveis continuarem impunes nas suas funções.

O Sindicato dos  Médicos da Zona Sul/FNAM alerta para esta escandalosa situação e desde já declara que irá desencadear as correspondentes medidas judiciais de responsabilização da referida administração hospitalar, ao mesmo tempo que irá exigir a intervenção do Ministério da Saúde.

Situações como esta não podem ser toleradas nos serviços de saúde e devem determinar a exemplar responsabilização daqueles que estão nomeados politicamente para assegurar as funções de gestão.

Lisboa, 22/10/2018

A Direcção

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