Hospital São José

SMZS solidariza-se com chefes de equipa demissionários do Hospital S. José e apela ao Primeiro-Ministro negociações imediatas com sindicatos

A Direcção do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS/FNAM) solidariza-se com a atitude corajosa dos chefes de equipa do Hospital de S. José de Lisboa, que se demitiram em protesto com a degradação da qualidade assistencial do Serviço de Urgência.

Um hospital secular, com tradição na qualidade da medicina praticada, com grande escola clínica onde se formaram centenas de médicos ilustres, está transformado num hospital em vias de extinção. Para que isto acontecesse, foram precisos 15 anos de destruição lenta e continuada dos hospitais deste grupo, levada a cabo por vários governos maioritários, com o encerramento do Hospital do Desterro e da Maternidade Magalhães Coutinho, a unificação num único Conselho de Administração dos Hospitais Curry Cabral, S. José, Capuchos, Santa Marta, D. Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa.

Com o encerramento da urgência do Hospital Curry Cabral e a transferência de toda a urgência destes hospitais para o Hospital de S. José, será bom não esquecer que as obras efectuadas no Hospital dos Capuchos e no Curry Cabral nos últimos 15 anos de nada serviram para manter estes hospitais operantes. A própria urgência de Psiquiatria no Hospital de S. José tem sofrido enormes constrangimentos de espaço físico e falta de pessoal diferenciado.

 

A política seguida pelos últimos governos tem como único objectivo reduzir custos através do desmantelamento dos serviços de saúde públicos e sua entrega aos privados, fechando serviços e camas, não contratando pessoal médico, não abrindo vagas para internos e jovens especialistas, obrigando os médicos a trabalho extenuante, extraordinário e mal remunerado. Estas políticas, além de conduzirem à desmotivação do pessoal médico, colocam em causa a segurança dos utentes, como é denunciado pelos chefes de equipa demissionários do Hospital de S. José.

O Conselho de Administração do Hospital de São José desculpa-se com o Ministério da Saúde e este desculpa-se com o Ministério das Finanças. Ambos, o Conselho de Administração e o Ministério da Saúde, prosseguem uma política de extinção clara destes hospitais, ignorando os seus profissionais, não negociando, manipulando boas vontades e assegurando com a política dos contratos individuais de trabalho, ao invés de contratação colectiva, uma confusão no trabalho médico, onde deixou de vigorar salário igual para trabalho igual,  de acordo com o grau de carreira. Esta política incentiva a saída acelerada dos médicos qualificados e recém especialistas para outros hospitais. Não é por acaso que não há especialistas de radiologia a partir das 20 horas.

Esta política tem de ser travada e por isso exigimos rápida abertura de concursos para médicos recém especialistas e concursos de mobilidade, a discussão urgente de uma grelha salarial mais bem remunerada, baseada na contratação colectiva, e o reforço urgente na contratação de médicos para este hospital e para outros nas mesmas condições.

Estaremos disponíveis para apoiar todas as formas de luta que os médicos desses hospitais estejam dispostos a travar.

Fazemos um apelo ao senhor Primeiro-Ministro para a realização de negociações imediatas com os sindicatos, o que efectivamente não tem acontecido porque este Ministério da Saúde inoperante, com as suas administrações, não está com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas sim dependente de uma agenda de interesses dos grupos privados.

Apelamos à solidariedade e à união de todos os médicos face à contínua degradação do SNS, que atenta contra os seus profissionais e contra o direito à saúde de todos os cidadãos.

A Direcção do SMZS

Lisboa, 8 de Julho de 2018

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