Cama de hospital

Todos os anos há gripe. Todos os anos há frio. Todos os anos há um excesso de mortos e de internamentos, de recurso a urgências e de falta de camas. Foi a gripe, dizem. E a gripe, de ano a ano, vai incorporando as culpas suas e alheias.

Sendo que a gripe é um factor de descompensação de muita doença crónica, também é certo que é das doenças que podem ser antecipadas no tempo, prevenidas e minoradas nos seus efeitos. O frio também pode ser minorado. O problema do frio, e espera-se que venha frio em todos os invernos, é semelhante ao do calor no Verão. População envelhecida e pobre, sem dinheiro suficiente para se aquecer, muitas vezes sem cuidador com disponibilidade suficiente. Mais que de gripe, morremos mais no Inverno e nos picos de calor por falta de apoio social, prevenção, e inventário da população em risco.

Continuaremos a morrer de pneumonia pós gripe. Nem tudo pode ser evitado. Mas um país que funciona não pode esconder responsabilidades atrás de eventos previsíveis.

Também a falta de camas não é sazonal. Agrava sazonalmente, mas é facto que, durante todo o ano, há macas nas urgências e nos corredores, por falta de camas para deitar doentes em condições de humanização e segurança.

Que o próximo Inverno não tenha de novo a gripe de todas as desculpas.

E que o próximo Verão não tenha o calor como justificação para toda a inoperância do sistema.

Minutas para pedir a atribuição de incentivos:

A FNAM tem reiteradamente afirmado a sua perplexidade sobre a inépcia, a inércia e a incompetência na implementação de novas Unidades de Saúde Familiar (USF).

A implementação de novas Unidades de Saúde Familiar representaria uma postura política de dignificação e de respeito pelos utentes e pelos profissionais, atentos à promoção da equidade e justiça no acesso aos cuidados de saúde.

As USF representam, nos cuidados primários, a dignificação do Serviço Nacional de Saúde. V.ª Ex.ª, no seu programa de governo. comprometeu-se com a reforma dos cuidados primários, incluindo a implementação de 100 USF nesta legislatura.

A nossa dúvida e incompreensão está relacionada com os números que V.ª Ex.ª anunciou ontem, na Assembleia da República. De facto, as informações de que dispomos referem-nos um total de cinco USF em 2017, número que o senhor Ministro da Saúde hoje confirmou. Assim sendo, permita-nos que lhe perguntemos onde está o Wally, senhor Primeiro-ministro. Onde estão as USF que faltam?

Médico

A Reforma dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), cujos resultados positivos são inquestionáveis e reconhecidos pelos cidadãos e profissionais de saúde, está gravemente ameaçada.

Esses resultados foram e são um contributo fundamental para a sustentabilidade, qualidade, proximidade e eficiência do Serviço Nacional de Saúde e apesar disso, em vez do relançamento da Reforma dos CSP, estamos perante uma completa paralisia, em que não são criadas novas Unidades de Saúde Familiar (USF), em que não há evolução para USF de modelo B, em que crescem as carências e aumentam os obstáculos nas já existentes e em que cada vez mais se degradam as condições de trabalho, nas USF e sobretudo nas Unidades de Cuidados Saúde Personalizados (UCSP).

A paralisia na reforma dos CSP devida à inércia do Ministério da Saúde, tem conduzido à iniquidade e injustiça, quer para os cidadãos quer para os profissionais de saúde! A assimetria mantida de distribuição da reforma a nível nacional priva os cidadãos de melhor acesso e qualidade na saúde e tem gerado insatisfação profunda em todos os profissionais de saúde que não têm tido a possibilidade de obter as condições favoráveis que as USF modelo B exigem e permitem.

A situação actual é insustentável, é geradora de desajustamentos à boa prática clínica e de saúde, com grave prejuízo para os cuidados de saúde aos cidadãos e exaustão dos profissionais.

 

O Ministério da Saúde não cumpre os compromissos do Governo!

O Ministério da Saúde e o governo, através do seu programa, assumiram o compromisso público de criar 100 novas USF até ao fim do respetivo mandato.

Contudo ainda aguardamos o despacho conjunto do MS e das Finanças que deveria ter sido publicado até 31 de janeiro de 2017!

No início de 2018, aprovado o Orçamento de Estado, devia ser claro qual é o investimento nos CSP e, no entanto, isso não acontece.

A FNAM defende a publicação imediata de um despacho que apoie e permita a criação de novas USF e a evolução para modelo B de todas as que têm parecer técnico favorável, contemplando o que devia ter acontecido em 2017 e prevendo o que deve acontecer rapidamente em 2018.

 

Lisboa, 09 de Janeiro de 2018

A Comissão Executiva da FNAM

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