O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) chegou a acordo para melhores condições de trabalho dos médicos no Serviço Regional de Saúde dos Açores, destacando-se o aumento de mais cinco dias de férias, a reposição das 12 horas de trabalho semanal no serviço de urgência, a implementação de horas protegidas para formação de internos e a compensação dos períodos de transição entre bancos.

O Internato Médico sai fortalecido, permitindo uma melhor formação dos futuros médicos especialistas nos Açores, passando as funções de orientação e acompanhamento de estágio a integrar o horário de trabalho, num período de quatro a seis horas semanais. Além disso, há uma clara aposta na formação contínua de todos os médicos, responsabilizando as entidades empregadoras a providenciar anualmente formação a 20% dos médicos. As atividades dos médicos com formação (quer recebida quer ministrada) passam a ter maior peso na ponderação curricular para efeitos de avaliação de desempenho.

O Acordo prevê mais cinco dias de férias, desde que as mesmas sejam gozadas no primeiro semestre do ano, de forma a não colocar em risco os períodos de maior pressão sobre os serviços de saúde. 

A nível do planeamento e organização do trabalho médico, há também melhorias assinaláveis, nomeadamente a redução das 18 para as 12 horas do trabalho semanal em serviço de urgência – uma reposição há muito defendida pelo SMZS e pela FNAM, nas Regiões Autónomas e no Continente –, privilegiando o tempo dedicado pelos médicos hospitalares às consultas externas, ambulatório, cirurgia eletivas e ao internamento. Também relativamente aos horários de trabalho, passa a existir compensação dos períodos de transição entre horários, como a passagem de turno (em especial no serviço de urgência) e a implementação de novas regras na fixação do horário de trabalho, mais favoráveis para os médicos, estimulando a sua participação em todo o processo.

De forma a combater a exaustão por trabalho a horas incómodas e de forma a melhor conciliar a vida profissional e a vida pessoal e familiar, foi muito importante para os médicos o alargamento do descanso compensatório por trabalho ao sábado, além de aos domingos e feriados. Para as trabalhadoras médicas grávidas, há uma redução de até duas horas de trabalho, num regime de jornada contínua. Os médicos que trabalham à noite terão direito a uma refeição noturna.

Graças ao contributo do SMZS, foi possível, finalmente, equiparar os médicos com contratos de trabalho em funções públicas (CTFP) e contratos individuais de trabalho (CIT) – eliminando uma discriminação a nível das condições de trabalho de médicos que trabalhavam na mesma unidade e com as mesmas responsabilidades, destacando-se a equiparação do regime de faltas.

Foi também regularizada a questão das despesas com deslocações em serviço, no país e no estrangeiro.

Desde a implementação do SIADAP que a avaliação dos médicos não tem sido possível, fazendo com que, em algumas situações, um médico com 20 anos de carreira ganhe o mesmo que um recém-especialista. Com este Acordo, há uma simplificação do sistema de avaliação, permitindo que, tal como acontece em todas as outras carreiras da Administração Pública, possa haver a devida progressão salarial na carreira, que corresponde à diferenciação técnica. Além disso, este Acordo permite que esta avaliação seja igual para médicos com contratos em CTFP e CIT.

Desta forma, e em conjunto com outros documentos anteriormente assinados que levaram a uma valorização remuneratória, vai ser possível captar e fixar mais médicos na Região, com condições mais favoráveis do que no Continente e competindo de forma mais equitativa com condições de trabalho garantidas noutros países europeus.

O SMZS enaltece a negociação que permite chegar a resultados favoráveis a todos os açorianos, desde que exista vontade de chegar a compromissos entre os sindicatos médicos e a tutela. De realçar que, para se alcançar este Acordo, houve uma grande abertura negocial de todas as partes envolvidas, destacando-se em especial a postura da Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social, ao contrário da atitude intransigente do Governo da República.

O Acordo, assinado no dia 4 de abril, no Solar dos Remédios, em Angra do Heroísmo, entre o Sindicato Médico da Zona Sul e o Sindicato Independente dos Médicos com  a Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social e a Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública e os Hospitais da Região Autónoma dos Açores, traz importantes avanços e não implica a perda de nenhum direito laboral. Para o SMZS, após esta etapa, espera-se que seja possível negociar outras questões importantes, como a implementação das 35 horas de horário semanal e o regime de dedicação exclusiva. 

Este acordo é uma vitória para todos os açorianos, para o Serviço Regional de Saúde e para os médicos.

Caravana da FNAM na ULS Loures-Odivelas

Em 2025, está de volta a Caravana da FNAM. O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) vai passar pelas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, em visita aos locais de trabalho.

Na sexta-feira, 4 de abril, pelas 11h30, na Sala de Formação do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, realiza-se a reunião com os médicos da Unidade Local de Saúde de Loures-Odivelas. Vamos receber os médicos internos e fazer um ponto de situação sobre a situação no SNS e nos locais de trabalho. Estarão presentes dirigentes sindicais e um advogado do serviço jurídico do SMZS.

Vamos também eleger três delegados sindicais: Carlos Meneses Oliveira, Daniel Palmar Ribeiro e João Castro Nunes, entre as 11h30 e as 13h00. Consulte aqui a convocatória.

A reunião é aberta a todos, sejam ou não sindicalizados. Os médicos dispõem, durante o horário de trabalho, de um período de até 15 horas/ano, que contam como tempo de serviço efetivo, para participarem no seu local de trabalho em reuniões convocadas pelo sindicato [art. 341.º/1, b), da LGTFP, e do art. 461.º/1, b), do Código do Trabalho].

Pista de corrida

As novas tabelas salariais para os médicos foram publicadas no dia 27 de março, com efeitos retroativos desde 1 de janeiro de 2025. Estas tabelas não permitem a recuperação, até 2027, da perda de 20% do poder de compra da última década.

Esta publicação acontece após a recusa da Ministra da Saúde em negociar com a Federação Nacional dos Médicos (FNAM), a estrutura sindical que mais médicos representa no SNS, em violação dos procedimentos da contratação coletiva.

O Ministério da Saúde preferiu iludir a negociar. A publicação das tabelas salariais mostra o contrário do propagandeado, com o aumento médio do salário dos médicos, no regime geral de 40 horas, a limitar-se por 1,3% por ano, até 2027 (excluindo o aumento para a Administração Pública).

Concretamente, estas tabelas salariais preveem o aumento médio de:

  • 2,9% para médicos internos
    • subida de 1 nível na Tabela Remuneratória Única (TRU) em 2025;
    • sem alteração do nível na TRU em 2026 e 2027.
  • 4,8% para médicos assistentes
    • sem alteração do nível na TRU em 2025 em todas as posições;
    • subida de 2 níveis na TRU em 2026 para quem se encontra nas 1.ª e 2.ª posições;
    • subida de 2 níveis na TRU em 2027 para quem se encontra na 1.ª posição;
    • subida de 1 nível da TRU em 2027 para quem se encontra na 2.ª posição;
    • subida de 3 níveis na TRU em 2026 para as outras posições;
    • sem subida na TRU em 2027 para as outras posições;
    • desaparecimento das 7.ª e 8.ª posições a partir de 2026.
  • 5,7% para os médicos assistentes graduados
    • sem alteração do nível na TRU em 2025;
    • subida de 1 nível na TRU em 2026;
    • subida de 3 níveis na TRU em 2027.
  • 0% para os médicos assistentes graduados sénior
    • sem qualquer alteração na posição na TRU em 2025, 2026 ou 2027.

De sublinhar que 1 nível de TRU em 2025 e 2026 corresponde a 56,58€ e em 2027 a 60,52€.

A esmagadora maioria dos médicos encontra-se na primeira posição remuneratória em cada categoria. Se tivesse sido aplicada a justa progressão, os médicos estariam três ou quatro posições acima das atuais, mas o Ministério da Saúde apenas concede o avanço de uma posição em 2025, sem que daí resulte uma verdadeira valorização salarial.

A FNAM defende a justa remuneração dos médicos, a valorização da carreira e a melhoria das condições de trabalho. O próximo titular da pasta da Saúde está avisado que a FNAM vai continuar a lutar por uma negociação séria, capaz de defender todos os médicos, utentes e o SNS.

Convocatória

De acordo com o consagrado nos Artigos 26.º; 27.º, alínea b); 28.º; 30.º; 36.º, 37.º, 39.º, alínea d) e 43.º, alínea e), em leitura conjugada, dos Estatutos do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), convoca-se reunião da Assembleia Geral Ordinária, para o dia 31 de março de 2025 (segunda-feira), pelas 20h30, a realizar na sede do SMZS, sita na Rua Julieta Ferrão 10 – 12.º A-B 1600-131 Lisboa.

A Ordem de Trabalhos é a seguinte:

  1. Leitura, discussão e aprovação do Relatório de Atividades da Direção, do Relatório de Contas e do Parecer do Conselho Fiscalizador, relativos ao exercício do ano 2024;
  2. Leitura, discussão e aprovação do Plano de Ação e do Orçamento relativo ao exercício do ano de 2025.

Lisboa, 21 de março de 2025

A Mesa da Assembleia Geral

Maria Julieta Vasques Brás de Sousa, Secretária

Maria Teresa Pancada Correia, Secretária

Consulte aqui a convocatória em PDF