A criação de serviços de urgência regionais de ginecologia-obstetrícia para a Península de Setúbal, Loures e Vila Franca de Xira representa um retrocesso inaceitável no acesso a cuidados de saúde para milhares de utentes. Trata-se, na verdade, do encerramento de serviços por falta de médicos especialistas - que têm sido empurrados para fora do SNS por sucessivos governos. SMZS-FNAM junta-se à concentração da Comissão de Utentes, no domingo, 1 de março, pelas 10h00, em frente ao Hospital do Barreiro.
Esta medida, apresentada como inevitável, significa que o Ministério da Saúde desistiu do Serviço Nacional de Saúde (SNS) como o garante da segurança e da saúde das grávidas e crianças em vastas zonas do país, em particular na região de Lisboa e Vale do Tejo.
No entanto, esta situação não foi nem é inevitável. O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS-FNAM) tem a receita para reverter esta série de encerramentos: garantir condições de trabalho, progressão na carreira e salários dignos para fixar médicos. Isto é possível com menos gastos do que os atuais, em que os serviços dependem - e vão continuar a depender, mesmo com as urgências regionais - de horas extraordinárias e de prestadores de serviços.
A concentração do serviço de urgência das maternidades da Península de Setúbal no Hospital Garcia de Orta, em Almada, irá sobrecarregar este hospital, em particular na área abrangida pela Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho (Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo), colocando-as a 30-50 minutos da maternidade pública mais próxima. O encerramento das urgências de ginecologia-obstetrícia no Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, é particularmente dramático.
Igualmente, a transformação da maternidade do Hospital São Bernardo, em Setúbal, para um serviço periférico - apenas acessível através do INEM para as utentes do Litoral Alentejano - torna a situação caricata, quando a área abrangida por este hospital ultrapassa meio milhão de pessoas.
Também no Hospital Beatriz Ângelo e no Hospital de Vila Franca de Xira mais meio milhão de pessoas irá ver o acesso a cuidados de saúde mais longínquo - obrigando grávidas de Benavente, em caso de situação urgente, a fazerem percursos de 40 minutos até Loures para serem atendidas.
Esta medida mostra-se ser um projeto-piloto que irá expandir-se por todo o território nacional e por várias especialidades. Aliás, já está previsto que o mesmo venha a acontecer com as urgências de ortopedia e cirurgia em Lisboa e na região Oeste.
Para o SMZS-FNAM, estas medidas irão claramente agravar o acesso a cuidados de saúde e deixarão por resolver a fuga de médicos do SNS. É por isso que insistimos no caminho da negociação e domingo estaremos com os utentes em defesa do SNS para todos.
