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Após a decisão do encerramento da Maternidade e do departamento de Neonatologia do Hospital do SAMS, o Sindicato de Médicos da Zona Sul (SMZS) esteve presente na reunião da Comissão de Trabalhadores do SAMS, partilhando as preocupações dos trabalhadores, apoiando as suas decisões e disponibilizando os seus serviços a favor da luta pelo futuro do SAMS.

Decorreu no dia 20 de fevereiro de 2018, no Hospital do SAMS, o plenário dos trabalhadores convocado pela Comissão de Trabalhadores do SAMS (CT). Foram também convidadas a estarem presentes as Direções dos Sindicatos dos trabalhadores do SAMS.

O assunto primordial debatido foi o recente anúncio pelo Diretor Clínico do SAMS do encerramento da Maternidade e do Departamento de Neonatologia do Hospital do SAMS, a partir do dia 31 de março de 2018. Esta nova decisão surge na sequência do anterior fecho da Clínica SAMS de Setúbal e da Urgência de Pediatria do Hospital do SAMS.

O Hospital do SAMS é dirigido pelo Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI), cujo Presidente é, há vários anos, o Dr. Rui Riso, e teve, até 2015, como Presidente da Comissão Executiva o atual Ministro da Saúde, Dr. Adalberto Fernandes. Esta administração efetuou investimentos muito avultados na remodelação da Maternidade e foi adotada uma estratégia de expansão. Com estupefação geral, em 2018, depois destas obras, a administração decidiu extinguir os Departamentos de Obstetrícia e Neonatologia, desviando os partos efetuados nesse serviço para a Maternidade do Hospital CUF Descobertas.

 Perante uma plateia de cerca de 70 trabalhadores, a CT informou que tinha sido convocada para uma reunião em que estava presente o Presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas e em que este comunicou os encerramentos, justificando-os com alegados prejuízos e pela redução do número de partos – que, aliás, de acordo com os números disponíveis não corresponde à realidade, pois nos últimos anos houve uma estabilização em valores acima dos 500 partos ano.

Posteriormente, os médicos dos referidos Departamentos têm sido contactados informalmente, tendo-lhes sido apresentadas propostas não escritas, nomeadamente aos obstetras, que poderão passar pela realização do seu trabalho de urgência na maternidade do Hospital da CUF Descobertas, sendo que o pagamento continuaria a ser feito pelo SAMS. Ou seja, tanto quanto nos foi dado conhecimento, serão desviados os mais de 500 partos efetuados anualmente no hospital do SAMS para o hospital CUF Descobertas, e poderiam continuar a ser feitos pelos obstetras do SAMS, pagos pelo SAMS.

Como consequência adicional deixará de haver Anestesista, em permanência, a partir da meia-noite durante a semana, nos dias feriados e ao fim de semana.

Os trabalhadores presentes, provenientes dos mais diversos serviços, manifestaram a sua enorme apreensão face ao futuro da instituição e dos seus postos de trabalhos, expressando a sua total incompreensão perante a gestão de uma administração que primeiro investe fortemente e, pouco tempo depois, encerra, sem que ninguém seja responsabilizado. Aliás, aparentemente, os únicos que poderão ser afetados são os trabalhadores, como o próprio Dr. Rui Riso terá admitido recentemente, pondo como hipótese que alguns poderiam ser dispensados.

Em face da gravidade da situação, os trabalhadores presentes decidiram mandatar a CT pedir nova reunião com o SBSI para discutir as decisões tomadas, efetuar uma denúncia pública e realizar, a breve prazo, uma vigília junto às instalações do Hospital do SAMS, apelando à presença de todos, trabalhadores e utentes. 

Nesta reunião, o Sindicato de Médicos da Zona Sul concordou com a estratégia delineada, disponibilizou os seus serviços, nomeadamente jurídicos, para apoiar os médicos seus associados, e vai continuar a lutar contra todas as decisões que ponham em causa o futuro do SAMS.